quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bukowski, o velho safado.


13/09/1991
(...) Mas não acho que não fiquei burro por acaso. Será que um cara burro se dá conta que é? Mas estou longe de estar satisfeito. Há alguma coisa em mim que não consigo controlar. Nunca dirijo meu carro por cima de uma ponte sem pensar em suicídio. Quero dizer, não fico pensando nisso. Mas passa pela minha cabeça: SUICÍDIO como uma luz que pisca no escuro. Alguma coisa que faz você continuar, saca? De outra forma, seria apenas loucura. E não é engraçado, colega. E cada vez que escrevo um bom poema, é mais uma muleta que me faz seguir em frente. Não sei quando às outras pessoas, mas quando quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso: Deus Todo-Poderoso, o que mais agora? A vida me fode, não nos damos bem. Tenho que comê-la pelas beiradas, não tudo de uma vez só. É como engolir baldes de merda. Não me surpreende que os hospícios e as cadeias estejam cheio e que as ruas estejam cheias. Gosto de olhar os meus gatos, eles me acalmam. Mas não me coloque em uma sala cheia de humanos. Nunca faça isso comigo. Especialmente numa festa. Não faça isso.


Trecho de "O Capitão Saiu Para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio" de Charles Bukowski.

Esse livro contém trechos de um diário que o autor utilizou 1991 até poucos dias antes de sua morte em 1994.

Um comentário:

  1. Interessante é pensar que até seus diários são bem ricos em retórica, e pelo q eu lembro, também mostram uma ligação forte com o conteúdo de seus poemas. É engraçado que todo poeta e/ou escritor que possui uma literatura misantrópica ou depressiva sempre se mostra assim em fotos ou qualquer outro meio de divulgação de imagem...

    bom post, cara...

    flw

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